O Retorno da Deusa: O Valor do Culto ao Feminino e a História de Sua Repressão
Durante milênios, o feminino foi reverenciado como fonte da vida, do mistério e do sagrado. Antes mesmo de haver uma religião institucionalizada, havia o culto à Mãe Terra, à Grande Deusa, à Senhora dos Ciclos. O ventre feminino era visto como espelho do cosmos: um lugar de criação, de cura, de magia. Cultuar o feminino não era uma ideologia: era uma forma de viver em sintonia com os ciclos da natureza, com a intuição, com o sentir. Era reconhecer que a vida nasce do escuro do solo, assim como do escuro do útero. Que o tempo se move em espiral, não em linha reta. Que a água, o sangue e a lágrima são sagrados. Mas com o passar dos séculos, essa reverência foi sendo apagada. Sociedades patriarcais tomaram os altares, os livros e os mitos. O poder do feminino passou a ser temido. E o que era divino foi transformado em pecado. Eva passou a ser culpada pela queda da humanidade. Pandora, pela liberação dos males do mundo. Lilith, por sua recusa em se submeter. As deusas foram caladas. A...